Pessoas Lindas!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Dança Indiana

Isadora
Para quem quer saber um pouco mais sobre Dança Indiana, leiam a entrevista que inaugura o ano de 2009 no:
E muito mais vem por aí... Aguardem!

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Ontem e Hoje

Eu já cansei desse tema, e por isso escrevo hoje: despedida.
Quero, de uma vez por todas, sanar com esse debate sobre a Dança do Ventre e suas 'inovações'. Escrevo mais para eu mesma, reflito aqui no meu cantinho e depois, não quero mais pensar nisso.
Mas fiquem a vontade para opinar, o espaço é para todas.
Apesar de nunca ter escrito exatamente sobre isso, dei uma pincelada no artigo 'De como as Coisas São (Ou querem que sejam) é bacana ler, para entender do que quero falar agora.
Ballet sempre vai ser ballet. Oito posições ou seis, dependendo da escola, mas não foge disso.
Os trajes seguem um padrão, os repertórios são dançados no mundo todo e, vez ou outra, com certeza você vai ver a mesma posição de braço, o arabesque, ou a cabeça acompanhando a mão.
E aí? Alguém fica 'brigando' por causa disso? 'Gisele' e 'O Lago dos Cisnes' é dançado pelo mundo afora, e ninguém acusa de plágio ou cópias.
A questão é: por que tanta ansiedade em discutir bailarinas de dança do ventre e cópias de coreografias ou passinhos (as populares 'combos' das americanas?)
Numa dança em que a nomenclatura não é definida e o método de ensino e didático não tem reconhecimento mundial, para que tentar fugir tanto das referências que temos ou, o caminho inverso, segui-las em toda performance?
Eu penso assim: oito tempos. Passou disso, é cópia e preguiça. Mas não venha tentar identificar 'o passinho da Lulu ou o passinho da Kahina' porque ninguém é dona de passinho nenhum. É tudo referência das que vieram antes de nós.
Eu conheço apenas uma bailarina que tem um plano de aula definido e um método, Shaide Halim. E eu a vi dançando e fiz um workshop e digo: é uma bailarina e tanto. Das melhores. Técnica, teoria e prática. Vejam o programa de aulas dela- está aqui no site. Show de bola. Uma tentativa, ela encontrou seu próprio caminho.
E acho que é assim que devemos todas caminhar. Buscando o nosso próprio caminho, sem esquecer das referências, mas também permitir as inovações. O parâmetro é apenas um: bom senso.
E como defini-lo?
A platéia responde. Pelo aplauso, pela expressão, pela 'globalização' do vídeo. A gente só divulga aquilo que aprecia. (eu, pelo menos).
E mesmo entre as queridinhas- novas ou antigas- me reservo o direito de dizer: não gosto de muitas delas. De inovações com plumas, jeans, penas, poás, eu fico bem reticente, não vou mentir. Mas daí escrachar alguém por tentar, jamais.
Eu fico com o que acho bonito, verdadeiro e que me toca a alma.
Luana Mello é polêmica no meio, porque nem todo mundo consegue identificar o hoje e o ontem na sua dança e na maneira como ela se apresenta. Eu consigo, e por isso gosto - e muito.
E das antigas, gosto apenas da Souhair Zacki. E se olhar bem de pertinho, ela estava a frente de seu tempo.
As outras 'clássicas' - dos vídeos antigos - eu respeito, tiveram sua contribuição, mas não consigo achar bonito braços dobrados, pernas abertas demais, sorriso esquisito pacas. Mas e aí, vieram antes de nós, então, merecem respeito.
Aqui eu listo de tudo um pouco.
Opinem.

Minha preferida:



Só pra ver como era:









Hoje, a técnica aliada as inovações e a diversas modalidades de dança, principalmente o Ballet.
A representação para mim, o ícone Kahina. Ela criou seu estilo. E gosto dele.



Mas de tudo isso, eu fico com ela: Carlla Sillveira.
Temos muitas, diversas outras bailarinas dignas de aplauso, com técnica, criatividade, elegância. Lulu teve sua parcela incrível de contribuição para uma dança poética e ágil, com seus giros e véus triunfantes.
Mas Carlla, viu de tudo, estudou e escolheu o hoje e o ontem, juntos.
Ela ainda é uma bailarina de Dança do Ventre. Simples, poética e imperial, como eu acredito que deve ser.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Dança x Relacionamento


"Eu queria fazer Dança do Ventre, mas meu marido não deixa."

"Eu não posso ir ao ensaio no fim de semana, porque meu namorado diz que a gente tem que ficar junto, tenho que me dedicar, já que durante a semana a gente se vê tão pouco."

" Eu até queria dançar na apresentação, mas meu namorado diz que não pega bem eu subir lá no palco com essa roupa."

Esses são apenas alguns exemplos de frases que já ouvi como professora de Dança do Ventre.
No início, eu chamava a aluna em particular e começava a falar sobre diversos temas, como independência feminina; machismo; a necessidade da mulher ter seu momento, sua vida particular; o caráter artístico da dança; ciúmes; terapia e um sem fim de explicações.
Confesso que, também no início, eu criava uma antipatia imediata com os namorados/maridos que proíbiam as 'amadas' de fazerem a aula ou participar de apresentações.

Com o tempo, eu fui me cansando de falar, explicar, argumentar.
E eu via aquela aluna que antes era vívida e feliz, se apagando aos poucos. Via o namorado que jogava seu futebolzinho todo sábado à tarde ou tomava um chopp com amigos à noite, mas proibía a namorada de fazer as aulas. Via uma ou outra aluna tentando me convencer que precisava faltar no ensaio - que duraria duas horas - porque precisava 'passar o fim de semana juntinho com o namorado'. Às vezes eu ainda tentava, dizia: 'Mas são somente duas horas!'

Até o dia em que li o conto ' Pele de Foca' , no livro 'Mulheres que Correm com os Lobos' de Clarissa Pinkola Éstes.


E percebi que, como dizia o poeta (me digam qual poeta, que me esqueci)

"Deus ama os pássaros, e criou para eles árvores.
O homem também ama os pássaros, mas criou para eles, gaiolas."

Percebi que entre amar e aprisionar há uma grande diferença, e que o verdadeiro amor, deixa-nos livre. Não resseca e enruga a pele, não nos entristece, não nos tira o viço.

Hoje, quando ouço de alguma aluna as mesmas frases, eu fico em silêncio.
Eu penso: "Tadinha, ele roubou sua pele de foca." Às vezes eu falo e digo apenas: "A dança te faz feliz? Porque não se permite ser feliz? O futebol dele o faz feliz, você o proibiria?"
E deixo a aluna no vácuo, pensando, sei lá, nem volto a tocar no assunto.
Muitas voltam depois. Algumas não. Outras, me encontram pela rua e me dão um sorriso triste.
Não adianta forçar, argumentar, recomendar livros e filmes.

Percebi que o amor, assim como os diversos tipos de relacionamento, diz respeito a maturidade emocional de cada um.
E não adianta querer apressar o tempo ou falar sobre, porque cada um sabe de si e, o que não sabe, o tempo vai ensinar.
Ah, o tempo.
Infalível.
Para o bem e para o mal.

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*Nota: o conto no link é uma versão, o original, do livro da Clarissa é bem mais amplo, com uma análise fantástica ao final. Recomendo, para quem ainda não leu.