Pessoas Lindas!

domingo, 25 de dezembro de 2011

Feliz tudo!

Natal, Novo Ano, vida que segue!
Porque ser FELIZ não é só desejo em datas marcadas, mas SEMPRE E SEMPRE!
E como a gente sabe que nem sempre dá pra ser feliz, pelo menos vamos tentar? Escolher ver a felicidade em TODAS as situações?
Lembra do 'Jogo do Contente', da Polyanna? Que tal praticar?
E quando não der, quando a coisa ficar ruim e você se sentir sozinha e sem esperança, me escreve!
Estarei aqui pra segurar sua mão.
Em 2012 tudo o que quero é um ano de mãos dadas!
Celebrando e dançando!
OBRIGADA por tudo, vocês são demaaaais!
Sejamos felizes!
Beijos sabor chocotone!
:)


terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Dança livre!



Em tempos de padrões, certificações e avaliações volta e meia encontramos tópicos em blogs ressaltando a liberdade e o prazer em dançar.
Muitas vezes é incoerente, a mesma pessoa que escreve pedindo liberdade é a mesma que critica o excesso de peso de uma bailarina, ou o arabesque mal executado ou figurino e afins.

E aí, eu me deparo com dois momentos que fizeram tudo valer, para mim.

A dança que é livre e expressa sentimento.

A dança que mantém o respeito pela Arte e permite-se inovar, inserir, sentir, a despeito de tudo.

E respiro feliz e aliviada, por mesmo entre tanta exigência e técnica, tanta falta de nomenclatura e método, na verdade a Dança do Ventre ainda nos permite fazer essa mistureira toda e ser feliz! Não é de todo ruim,né?!

Quebrar o 'protocolo' do evento, modificar a coreografia e homenagear a colega de cena- amiga! - que machucou-se semanas antes do espetáculo...que outra modalidade de dança permitiria esse momento de pura ternura? Foi o que fizemos no meu evento no início do mês e olha...valeu a vida estar ali!E o público entendeu...e se emocionou com a gente...ah, que delícia!






E fazer um evento que preza pelo simples, pela celebração da Vida, pela alegria de ser e estar ali dançando? Com todas as possibilidades e recursos, seja de decoração, luz, técnica rígida...permitir-se despir de tudo isso e apenas dançar! Eu amei a proposta do Evento Vida da Harah Nahuz e dá pra sentir a energia do bem em cada sorriso e movimento! Isso também é dança, livre e bela de se ver!





São presentes vivos, feitos pela dança e que gostoso saber que ainda existem bailarinas e público que sabem apreciar.

Eu sou a 'primeira' defensora ferrenha de nomenclatura, técnica, arte, respeito às tradições, mas eis que o mundo se abriu e descobri que nem tudo é ''8 ou 80'' e que quando fazemos algo com propósito, significado, respeito e beleza, é válido SIM!

Permitam-se!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Dezembro chegou!

Agora é a época gostosa dos Festivais de encerramento das Academias e estúdios, adoro! Tanta coisa pra ver, aprender, refletir!

Meu livro logo chega, já está na gráfica, sendo finalizado, iupiii! Será nosso presente de Natal! Toda bailarina deveria ter um!

Meu evento já foi, uma superação! Agora é terminar o ano letivo no meu estúdio e depois descansar - será que consigo?

Sucesso à todos vocês!

beijocas sabor Natal...








quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Entre os fios e as filhas

Não, não é fio da navalha nem 'fio' diminutivo popular de 'filho'.
É fio, de fio de cabelo.

Não acreditei quando meu cabeleleiro disse que meus fios iriam cair após o parto, e nem liguei quando me diziam que se eu amamentasse, poderia dizer adeus aos fios.

Pois é.

Estou aqui, triste que só, ao ver todos os dias o mundaréu de fios que só fazem cair e cair.
Hormônios. Natural.
Mas ver dia a dia o cabelo ralinho e caindo é algo que só quem tem queda sabe como é.

Se não fosse a alegria de ver minha filha saudável e bem nutrida, e a certeza do meu médico de que 'tudo passa', eu estaria piorzinha... mas será minha primeira vez dançando com os fios mais curtos - e só não corto 'joãozinho' por causa da dança..mas olhe lá se não me baixar a louca pós mostra....

E aí, eu entre os fios espalhados pelo chão e as filhas na vida e na dança.

Eu sempre dizia que já tinha filha, a Marina - já falei dela várias vezes aqui no blog - ela sempre foi meu ideal de filha: geniosa, educada, prestativa, antenada e extremamente amorosa. Eu dizia: 'Se um dia a filha vier, que seja como Marina'. Mal sabia que eu teria uma espanholinha cheia de personalidade que é a Salomé. To feliz demais com essas filhas!

Eu, Salomé e Marina

E aí tem as filhas que a dança me deu.
Cuido, chamo a atenção, oriento, mimo, educo. Para mim, ser professora é ser educadora, acima de tudo. A parte de ser mãe foi um apelido carinhoso dado por algumas do meu elenco e a coisa acabou pegando.

E lá fomos nós, filhas e fios conhecer a Khan el Khalili. Eu fui guia do meu grupo de filhas, estava toda prosa de mostrar o local que me fez gente na dança e que frequento há mais de 10 anos.
Foi uma viagem deliciosa, cheia de descobertas, certezas e muita alegria.
E eu acho que me saí bem de guia e de mamãe de primeira viagem - viajar com um bebê de 4 meses não é mole não!

Nosso grupo, rumo à Kk


E eu estou aqui pensando nessa loucura que é a vida, como o tempo passa e a ampulheta vira e desvira e nos surpreende a cada grão lançado ao tempo...

Jamais imaginei, a primeira vez que fui à Casa de Chá, que voltaria lá um dia, liderando um grupo de alunas, acompanhada de marido e filha.

E soa a campanhia do tempo e eu não me assusto, pois sei que tudo foi muito bem vivido, e o que virá será melhor ainda.

-----------

Em tempo:

Houve um atraso no lançamento do meu livro, mas está a caminho, a previsão é de que até o final de Dezembro as entregas comecem. 
Aguardem!
E podem continuar a efetuar os pedidos!

=]


Eu e meu sorvete 'Anúbis', o pedido favorito na Cafeteria da Khan el Khalili - super recomendo!



quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Tudo o que você queria saber sobre Dança do Ventre


Vem aí o livro para todas nós.
Desde os primeiros passos para quem está começando, até informações essenciais para profissionais, produção de eventos, cuidados femininos (saúde e beleza), variedades em modalidades de dança e embasamento teórico para pesquisas e tira-dúvidas.

Está tudo ali, resultado de 12 anos de pesquisa e vivência em Dança do Ventre, que eu compartilho com todas vocês.

Um livro que inova desde sua diagramação, feito com todo o capricho e zelo pela Elaine - Arte em Livros - vocês vão amar! Foi feito com tanto, mas tanto carinho, que acredito que vocês poderão até sentir o aroma das flores que enfeitam cada capítulo.

Sim, o livro tem flores.
Tem conteúdo, informação e novidades.

Desde dicas de qual cor de traje combina com a iluminação do evento, passando por modelo de contrato para trabalhar como bailarina e orientações sobre o que fazer em nossas maiores dúvidas.

Profissionais, amadoras, todas têm seu espaço.

E tem até citação especial, autorizada pela própria Haqia Hassan!

Mas vocês precisam comprar pra ver, apreciar e utilizar sem moderação!

VOCÊS MERECEM ESSE PRESENTE DE NATAL!!!

Compre já:

Valor promocional:  R$ 52,00
 (livro + frete fixo para todo o Brasil)
E você ainda ganha um lindo marcador de livros, brinde do Central Dança do Ventre!

A nova tendência no mercado oriental é este livro! Não fique de fora!
Texto de apresentação por:

Andréia Lima - Ribeirão Preto -SP



Fabiana Mahasin - São José dos Campos - SP


Hanna Aisha - Rio de Janeiro - RJ


Harah Nahuz - São Paulo - SP


Juliana Batista - Serra - ES


Amar El Binnaz - Osasco - SP


Você merece esse presente! 

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Ag: 1738 - 8
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Frete incluso  * envio a partir de Dezembro/Janeiro





sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Do que vai no meu coração, hoje


''Dezembro de aproxima e mais uma grande realização cultural será feita, sob meus cuidados.
Vem aí, na Sexta - feira, dia 02 de Dezembro a Mostra de Dança Árabe.

É tradição em nossa cidade, há 9 anos, uma vez por ano o mundo do oriente, com suas raízaes egípcia e árabe, se fazer presente através das minhas criações e do meu grupo de alunas.

Essas alunas que tornam-se amigas, guerreiras em extensivas horas de ensaio nas loucas criações das minhas coreografias.

Meus eventos movimentam a cidade e ajudam o comércio local; são comprados centenas de metros de tecido para os trajes, véus, decoração; itens de bijuterias, acessórios, divulgação, imprensa.

É um sonho sonhado por mim, e realizado pelo meu grupo de alunas.
Algumas nem tão comprometidas quanto eu gostaria, mas outras são um apoio importante nessa trajetória que é fazer arte.

Ontem dormi mal, pensando e preocupada com o evento de fim de ano.
É a 9ª edição e eu me preocupo como se fosse a primeira, sempre.

Nunca ganhei um centavo com os eventos e sempre gasto/invisto dinheiro para realizá-los.
Nunca cobrei um centavo do público para assistir meu evento e será sempre assim.

Muitas vezes só ganho preocupação,noutras ganho ofensas de pessoas que ao invés de ajudar, atrapalham e muitas, muitíssimas vezes ganhei ressentimentos dos que não souberam se colocar no meu lugar e entender quão grande é a responsabilidade de organizar e coordenar um evento para 500 pessoas, no mínimo, como tem sido todos esses anos.

Um evento que eu criei sozinha, com a cara e a coragem e que no início teve o apoio fundamental da Dora Leila Henrique, saudosa Diretora da Cultura, da Administração Tarek Darghan,  que nem me conhecia mas aceitou ajudar a realizar o meu sonho.

A cada edição, eu sempre me pergunto: por que eu continuo??

E aí, a resposta vem rápido, com um sorriso nos lábios: eu continuo por causa do público.
Esse público que eu carinhosamente chamo de 'meu povo'.
Esse povo que me acompanha há quase dez anos.

Que me viu dançar ainda jovem e iniciante. Que me acompanhou quando me casei e dancei ao lado do meu marido. Que estava presente quando dancei grávida da minha filha, quinze dias antes do parto.Que me presenteou com o enxoval completo e até hoje quando me encontra me cerca de mimos, estendendo-os à minha filha.

E esse povo sempre ali, me recebendo com aplausos calorosos, com amplos sorrisos, gritando meu nome.
O povo nunca me traiu e é por cada um de vocês, que eu continuo.

Eu AMO esse povo, esse povo lindo que me dá forças pra seguir, mesmo de longe, mesmo sem eu conhecê-los, mas eu posso sentir.

O povo que pode até não gostar de mim, mas me dá o devido respeito por tudo que produzi artisticamente nessa cidade, ao longo desses quase dez anos.

O povo, que sabe seu real siginificado- está lá no dicionário, não  é depreciativo ser povo, não! - povo é você, sou eu, somos todos nós. Povo é gente aglomerada, todo mundo junto pra ver a arte ali, se fazendo bonita e presente, revelando talentos ocultos a cada nova edição.

É lindo ver minhas alunas transformando-se em estrelas de primeira grandeza, e o povo ali, incentivando.

Esse povo que me acolhe e me faz sentir bem vinda, sempre.

É por eles, por vocês.

Estarei de pé, feito Fênix renascida, mais uma vez.

A despeito de todas as dificuldades e entraves, eu sigo.

E é essa a diferença, é isso que me faz ser quem sou, é essa a força do meu nome 'Luciana Arruda', que me levou a cruzar o oceano e dançar até na Índia.

Eu poderia estar em casa, assistindo televisão.
Mas não.
Trabalho como Psicóloga, tenho marido e filha pra cuidar e ainda estou aqui, por vocês, criando um mundo mágico, leve, etéreo e sensível, cheio de alegrias e bons momentos, para que o MEU POVO tenha ao menos uma vez por ano, uma noite inesquecível.

Dançarei por cada um de vocês esse ano.

Com todo o meu amor e minhas conquistas.

Um dia, irei parar. Certamente será a mais difícil decisão a ser tomada. Esse dia logo chegará, mas enquanto vocês ainda me quiserem, eu sigo.

Quero encontrar todos vocês no Guararapes Clube, dia 02 de Dezembro às 20h pra viver a arte bonita, bondosa e emocionante comigo, mais uma vez.

Eu amo vocês, meu povo.'



quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O que vamos aprontar esse final de ano?

Olho esse calendário e mal posso acreditar que Outubro chegou.

Parece que foi ontem, ainda Novembro de 2010, quando eu descobri que estava grávida e praticamente vi minha vida congelar, cheia de medos e aflição por uma agenda de trabalho a cumprir com Dança e Psicologia.

Olha só a vida em movimento. Cá estamos em Outubro e eu finalizando os preparativos para a 9ª - NONA - edição da Mostra de Dança, da minha Cia 'A Bailarina', vendo dia a dia minha filha crescer sob meus olhos e conseguindo dar conta de tudo!


Minha filha Salomé, já com 3 meses


Esse ano o tema do meu evento é o mais 'batido' ever: ''Harém.''
Quando me vi grávida, foi a primeira coisa que pensei: como preparar a próxima mostra? Aí decidi simplificar o tema e contar com a ajuda da minha equipe valiosa de alunas e professoras.

De 18 números, somente 3 foram feitos por mim. O restante é criação do meu grupo fantástico de alunas e professoras. As músicas fui em quem escolhi, mas toda a criação foi feita por elas, eu apenas aprovando ou desaprovando trajes e detalhes coreográficos.

É o primeiro evento que tem tão pouco de mim, mas ao mesmo tempo, tem tanto.
Cada aluna e professora foi uma semente plantada em solo fértil, pelas minhas próprias 'mãos'. E fico imensamente feliz por ter chegado a esse ponto de entrega, saber delegar e , acima de tudo, confiar na minha trupe.


Eu, alunas e professoras, há algumas semanas. Confiança e entrega!

Fiz uma história sobre uma moça que queria fazer parte do Harém.
Contextualizei o harém numa fictícia cidade do Egito e assim vai desenrolar-se a história da 9ª edição, com muito balady, folclore, misturas modernas e performances. 
E eu, voltando a dançar depois de gerar minha filha, um momento que sei: vai ser emocionante! 
Ainda não consegui definir minha música (aceito sugestões!) pois nada se assemelha musicalmente, a esse momento. Mas sei que vou encontrar.

E assim será o evento, numa Sexta-feira, dia 02 de Dezembro, no Guararapes Clube, com entrada franca.
Não será no antigo teatro, porque está em reformas. Mas irei seguir meu ritual e varrer o palco instantes antes de abrirem as portas ao público.

Em breve estarei em São Paulo lançando meu livro, e se tudo der certo, participando do evento Vida, da minha amiga querida Harah.

E a vida, segue.
Vida é movimento.

Que bom ter vocês por aqui compartilhando tudo isso comigo.

Eu posso sentir a energia de todos vocês e sou grata, por tudo.

Nos encontramos pelo caminho...

Essas flores, são para você!


quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Dança do Ventre- Existe luz no fim do túnel!



Quando Carlla Sillveira comunicou que estava encerrando a carreira, meu coração partiu-se duplamente.
Primeiro porque sempre admirei seu trabalho, segundo e mais importante: eu imaginava que o legado da VERDADEIRA Dança do Ventre estava chegando ao fim.

Carlla era uma das poucas que ainda dançavam 'com o ventre' e resistiam às inserções do ballet em demasia.Era autêntica e respeitava as linhas arredondadas, ondulações, shimmies e o ventre sempre a postos!

Porém, que ALEGRIA!

Duas 'novidades' me deixaram feliz da vida e com o coração calmo: há luz no fim do túnel. Não se perdeu a antiga arte.

Quando digo antiga, me refiro ao imaginario coletivo, aquele em que bailarinas movimentavam seus ventres com liberdade e encantamento, sem preocupações com regras, padrões e leituras obrigatórias.


Quando vi o solo de Esmeralda no Festival Shimmie, sabia que os bons tempos estavam de volta e que, sim, ufa, há vida própria, sensibilidade, ousadia e entrega ainda! oba!!

Simples assim: dançando com o sentimento, sem prender-se à regras ou padrões, emocionando e ventre,ventre,ventre! Menos é mais, já dizia o ditado e ela provou isso!

Detalhe: no minuto 1'00, certeza de que a maioria das mortais treinadas em workshops de leitura musical mundo afora, iria fazer tremidos e tremidos. Esmeralda apenas floreou com os seus braços o que sentia... o vídeo todo é um arraso de bom!





E, finalizando, um texto fresquinho da Jade que diz muito, a todas nós!

*originalmente publicado em  BailarMagazine


''Um grupo de 10 vestibulandos sentam-se à mesa do bar e fazem um Campeonato de Adivinhação da Tabela Periódica, definindo que o último a acertar paga a conta. A brincadeira dura apenas poucos minutos, pois todos os 10 a sabem de cor. Dá empate técnico, 4 deles demoram o mesmo tempo para lembrar a tabela toda e, portanto, devem pagar a conta. A conta chega: $ 160,00 a serem divididos pelos 4 perdedores e um deles pergunta: – Alguém tem uma calculadora?

É claro que estou aqui para falar de Dança do Ventre e contei esta historinha hipotética para fazer um paralelo com o que pretendo colocar: A atual Dança do Ventre (há exceções, sempre há, muitas, Graças a Deus!) está numa fase “Dança pré-vestibulanda”, onde decoram-se fórmulas e esquecem-se coisas simples, entretanto, fundamentais para o dia a dia de uma bailarina, como divisão (por 4!) na vida de qualquer criatura.
A menina entra para dançar: Linda, bem vestida, com um figurino “recomendado” de Costureira X ou Y, a custo de “Costureira da Moda” ou ainda (pior!) “Condição para ser aceita”. Cabelo e maquiagem impecáveis, sorriso aberto, corpo “dentro dos padrões definidos por sei lá quem”. Tudo que disseram que ela deveria fazer para ser aceita.

Entra no momento certo da música, com muito impacto, gira, sorri, ocupa todo o espaço com uma meia ponta de deixar qualquer Fifi Abdo de queixo caído e então lá vem ele… um violino! Um violino é um instrumento arredondado, pequeno, acinturado, que é tocado coladinho ao corpo, às vezes de olhos fechados o que, traduzindo para “Dançadoventrês”, pede (ou exige?) oitos, redondos, ondulações, movimentos cheios de sinuosidade, sensualidade, poesia e a “Candidata” (ui!) faz… braços! Molduras pré-aprovadas, perfeitas, organizadas. Então, surge um Qanoon, desenhando ondas trêmulas no ar, trêmulos pequeninos, irregulares, que sobem, descem, desaparecem e ressurgem de longas pausas de delicioso silêncio e a candidata… gira, gira, faz cambrés, arabesques, tudo muito lindo, muito limpo e… absolutamente fora do lugar.

Daí “tenque”… Tem que fazer uma cara assim, outra assado, olhar para todos os examinadores, sorrir, agradar, agradecer, seguir as regras, as fórmulas, os Guias… Tem que pular loucamente à simples menção de um Mizmar, porque daí é Saaid, tem que “bater cabeça”, numa simples menção de um “Soud”, porque daí, é Khaligie.

Um rítimo “incidental” é uma citação dentro de uma composição e não uma regra para a bailarina e, na minha opinião, o que quer que ela faça com graça, beleza, verdade e prazer, dentro do tempo, com bom gosto, sim, está certo!

Pergunte em uma sala com 30 brasileiros:
- Qual a diferença de Baião e Xaxado?
- De que região do Brasil vem a Catira?
- Qual é a diferença entre Aboio e Repente?
- O que é síncope?

Destas perguntas depende, um sujeito que se julga “músico brasileiro competente” sê-lo de fato, assim como apreciadores da música brasileira.

Depois que constatarmos que não sabemos, sequer o “mínimo” sobre a nossa própria música, podemos voltar a falar sobre ritmo e composição, mas já me adianto: É de uma prepotência sem precedentes acreditarmos que aqui, do outro lado do Planeta, podemos julgar com absoluta certeza, se um ritmo incidental é um Soud, Aiub, Núbio que têm, entre si a diferença de um Baião e um Xaxado (ambos, nós, ignorantes da música brasileira chamamos de “Forró”, que é, também, uma outra coisa, vem de “For all” – “para todos” em inglês – e trata-se da Festa, é um evento, é uma “Festa for all”.

Informação balsâmica para a sua cara de “?”. Dança do Ventre também é for all!!!

Uma dança com figurino e música árabes que não tem oitos, ondulações, redondos e shimmies é Fusão (ou “Fusion”, como a maioria prefere chamar), não é certo nem errado mas “do Ventre”, sem trabalho de Ventre, não, não é.
Como foi mesmo que isso aconteceu com a gente? Por onde e por que começou? Eu palpito que foram dois eventos paralelos aos “Concursos de Dança do Ventre”:
1 – A Dança do Ventre é difícil, mesmo, demora, às vezes dez anos para estar, realmente, Oriental, então começamos a “comê-la pelas rebarbas”, ensinando braços para a dança, ballet para a dança, leitura musical para a dança, coisas. Coisas em volta da dança.

2 – Fazer aula regular anda meio fora de moda… A menina vem para uma turma ou aula particular e eu pergunto “Quanto tempo de aula você tem?” e, depois de muita enrolação para responder, percebo que ela faz “Workshops de Dança do Ventre há X anos” e aulas particulares com o País inteiro para ser conhecida por bailarinas importantes o que irá, certamente (?), ajudá-la a “Passar no Ventrevest” de sei lá quem.
O tempo médio de Graduação em uma Universidade “quase impossível de entrar” varia de 6 a 10 anos. Ninguém ensinou o que fazer depois de “estar lá”, só aprendemos a “estar”, não aprendemos a ser, nem a aprender, nem a permanecer porque fórmulas servem apenas para isto. Estar. 

O ser é uma construção pessoal, ser profissional, então, uma outra construção que depende de um pouco de talento e muito esforço, então vem a frustração e a menina bate na minha porta uma vez mais “Eu fiz tudo direitinho! Tenho um guarda-roupa incrível, conheço todas as pessoas que deveria conhecer, fiz os cursos que tinha que fazer e ‘não aconteceu nada’!” e então, me resta a terrível função de comunicar a menina que para ser Bailarina de Dança do Ventre ela precisa aprender a dançar Dança do Ventre e, sim, estas coisas óbvias são as que devem ser repetidas porque são as que esquecemos primeiro, buscando a tal da fórmula que em tantos anos de apaixonado exercício de ensinar Dança do Ventre (17!!!) não há diabo que faça a menina convencer-se disso, por mais que eu diga.

Encerrados os meus argumentos, a contra-argumentação é quase sempre a mesma: “Você é a Jade, você pode se dar ao luxo de fazer o que quiser!”, lá vem mais uma informação-bálsamo: É o contrário, Bailarina!!! É justamente o contrário: Foi somente por fazer o que quero – e estudo, e acredito, seguindo o exemplo de algumas das maiores bailarinas do mundo – que eu cheguei até aqui.

Vai pro espelho, Bailarina! Pegue esse tempo de discussão de fórmulas, tome um banho bem gostoso, cuide da sua pele, faça muito carinho em você mesma, coloque uma roupa confortável, faça um chá de frutas vermelhas e vai ver a Fifi Abdo dançar…

É pra você, pra mim, pra Fifi, é for all!''

Jade El Jabel

=]


quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O povo Sikh - Uma aventura na Índia

*viagem patrocinada pelo Rotary International - fui como embaixadora da Arte da Dança

Ir para a India é uma experiência única. As cores, a comida, as pessoas, os lugares...tudo é grandioso e incrível.
De todas as vivências que tive morando com 11 ou 12 famílias na minha jornada de 38 dias por 13 cidades- ufa! - o que mais me impressionou foi conhecer o povo Sikh.

Meu amigo, Kammaaljeet

A visão de um Sikh nunca é algo trivial.
São homens altos, de pele morena, lindos olhos amendoados e o turbante feito com 7 metros de tecido chamam a atenção e nos fazem perdurar o olhar.

Eu nunca havia visto um Sikh pessoalmente e confesso que minha unica referência era o do filme 'O Paciente Inglês' interpretado por Naveen Andrews, com o personagem 'Kip'.
'Cena de O Paciente Inglês'

Os Sikh tem um orgulho em ser quem são e ostentam isso com uma naturalidade genuína, que me faz lembrar com detalhes de cada Sikh que vi na India. Os turbantes podem ser de cores e tecidos variados, mas o olhar de Rei é sempre o mesmo.
São todos magros e elegantes, e os mais velhos um pouco corcundas devido a idade e o peso do cabelo - que não cortam jamais ao longo da vida, e os sete metros de tecido do turbante.

Em uma viagem de trem, passei quase todo o trajeto perguntando e aprendendo sobre esse povo com o meu amigo Kammaal. Foram horas de conversas, risos e a constatação de que, se eu pudesse escolher um bom amigo, seria um Sikh.

Eu tomei nota de quase tudo o que conversamos, e folhear meu caderno hoje, encheu meu coração de saudade. Enquanto o trem percorria o sul da India, eu fui descobrindo um universo de homens guerreiros e trabalhadores.

'Você jamais verá um Sikh pedindo esmolas' - ele me disse.
'Nós temos saúde e força e iremos trabalhar e sobreviver com honra até o fim dos dias.'

Um Sikh tem orgulho de sua estirpe e demonstra isso utilizando os símbolos máximo de sua fé - que se mistura à vida -
- o turbante - para diferenciá-los na multidão e fazê-los lembrar quem são;
- a pulseira de metal ''Kara''- como símbolo de sua fé e exemplo do seu Guru - uma forma circular para lembrar que o universo é infinito, e  toda vez que  levarem a mão à boca para comer ou beber, professar a sua fé lembrando de quem são e de que fé é tão importante quando o alimento;
- o punhal 'Kirpan' - parece-se com um, não dá pra descrever, mas os deixa sempre prontos para a batalhe e é o símbolo de sua força e prestatividade;
- pente- 'Kanga' - trazem sempre consigo, ou no turbante, ou no bolso, reafirma o compromisso com a sociedade Sikh;

- a roupa de baixo é sempre a mesma - mesmo modelo- para lembrar da humildade e origens, independente de poder aquisitivo ou traje de luxo.



Pedi ao meu amigo que me ensinasse como prender o cabelo, por baixo do turbante

O cabelo e o turbante são parte de um ritual diário que requer tempo e destreza dos homens Sikh.
São 7 metros de tecido para envolver kilos de cabelo, que jamais foram cortados.

Fiquei imaginando aquilo tudo de cabelo preso no tecido, com o calor da India... mas devo dizer que em nenhum momento presenciei algum Sikh com aroma de suor ou que não cuidasse da higiene. Pelo contrário, a despeito dos hábitos dos Indianos em geral - apenas um banho por dia, pela manhã - os Sikh sempre me pareceram asseados e preocupados com a saúde e aparência.
Foram um dos poucos povos em que percebi a preocupação em lavar as mãos antes de comer e estar o tempo todo com lenço, para manter mãos e rosto limpos.Os meninos Sikh acostumam-se desde pequenos a ter seu cabelo envolto em tecido, seguindo o exemplo do pai e de seu povo. Atualmente, a nova geração de jovens Sikh têm abandonado o turbante, o emblema mais visível dos Sikh devido a modernização e globalização das tendências de moda e comportamento ocidentais, porém em muitas regiões do interior da India é possível encontrar jovens que decidiram seguir as tradições.

Aprendi com esse povo sobre ter orgulho de quem somos e não se envergonhar de suas escolhas.
Um dos momentos de sabedoria Sikh eu pude presenciar em meio a um grupo de pessoas, quando percebi meu amigo Sikh silencioso e, na tentativa de fazê-lo interagir eu disse: ''Kammaal e você? Por que não está conversando?" e ele respondeu:

''Se todos estão conversando, quem está ouvindo?''

São pequenas 'pérolas' como essas aliado ao comportamento educado e garboso que me fizeram encantar por esse povo.

Num dos bate papos que tivemos, aprendi que os Sikh procuram por esposas discretas, de pele morena, cheinhas - sim, quadris largos e seios fartos, segundo eles requisitos para serem boas mães/parideiras - e olhos escuros. 

Para um Sikh, uma mulher como eu - de olhos claros - é considerada uma 'aberração' (palavras do meu amigo! rs) pois olhos e pele clara representam fragilidade, pouca saúde e iria 'sujar' a linhagem morena e de olhos escuro amendoados dos Sikh.

eu e minha amiga Silvia, durante a viagem, com Kammaal

O povo Sikh foi um dos primeiros a estabelecer uma corrente solidária através de sua fé. Todos os templos Sikh possuem um cômodo que serve de abrigo a andarilhos, viajantes e pessoas menos favorecidas, para que possam dormir e receber alimento sem custo algum.

Para visitar um templo a mulher deve cobrir o cabelo.

A experiência de visitar um templo Sikh  é algo inesquecível.
O dourado impera nos detalhes e apesar de parecer sisudo, é tudo simples e limpo. Há sempre alguém lendo a escritura sagrada dos Sikhs o ''Guru Grand Sahib'', segundo eles a revelação categórica de Deus numa linguagem universal. 
É lindo, independente do idioma, é possível sentir na voz de quem lê o sagrado ali presente. Em qualquer horário, nas 24h sempre haverá alguem lendo e cantando as revelações.

Não tem como separar fé, religião e sociedade.

Para o Sikh tudo está interligado e é maravilhoso presenciar o sagrado em seus gestos, sorrisos e ações.

Esse post é apenas uma pequena fagulha das minhas impressões, você pode saber mais pesquisando sobre o Sikhismo na net e leituras variadas.








domingo, 9 de outubro de 2011

Se...






Quero que você saiba de uma coisa.
Você sabe como é:
se eu olhar
para a lua cristalina, nos ramos avermelhados
do lento outono na minha janela,
se eu tocar
perto do fogo
as impalpáveis cinzas
ou o enrugado tronco de uma árvore,
tudo me leva a você,
como se tudo o que existe:
aromas, luz, metais,
fossem pequenos barcos que velejam
em direção às suas ilhas que esperam por mim.

Bem, agora,
se pouco a pouco você deixar de me amar
eu deixarei de te amar pouco a pouco.

Se de repente
você me esquecer
não procure por mim,
pois já terei te esquecido.

Se você achar que é extenso e raivoso,
o vento das velas
que passa por minha vida,
e decidir
me abandonar à margem
do coração onde eu tenho raízes,
lembre-se
que neste dia,
nesta hora,
eu levantarei meus braços
e minhas raízes sairão
para buscar outra terra.

Mas
se a cada dia,
a cada hora,
você sentir que é destinado a mim
com implacável doçura,
se a cada dia uma flor
subir aos seus lábios à minha procura,
ah, meu amor, ah meu bem,
em mim todo aquele fogo reacende,
em mim nada é extinto ou esquecido,
meu amor se alimenta do seu amor, amado,
e enquanto você viver ele estará em seus braços
sem deixar os meus.


''Se você me esquecer - Pablo Neruda''




sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Desabafo - Vacinas e Reações

Enviei mail para a ANVISA e para o Conselho Federal de Psicologia.
 Agora é esperar, embora tenha quase certeza de que não vai dar em nada, mas não consigo ver minha filha sofrendo tanto com as reações da vacina e médicos dizendo 'é um mal necessário.'
 Basta dar um Google em 'reações vacina' principalmente a Tetra e é possivel constatar que raros mesmo, são os casos que Não tem reação! Minha filha não é um chipanzé de laboratório, é ser humano.
 Quero saber porque não fazem vacinas com menos efeitos colaterais.
 Estão acompanhando os danos psicológicos pelos quais essas crianças vêm sendo submetidas mensalmente, desde que saem do útero?
 Na gestação nos proíbem de tomar até aspirina, mas basta nascer os pequeninos tem a cumprir um calendário de mais de 40 vacinas, em 10 anos.
 Vacinas são importantes e necessárias, porém é preciso atentar para o fato das reações terríveis as que nossos filhos são submetidos. Quero explicações sim, não vou me calar e engolir que 'é normal'.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Quem é o seu 'Guru' na dança?


Estava revendo umas fotos da minha viagem à India em 2009/2010 - passou rápido! e encontrei uma das muitas aulas de yoga e dança indiana que fiz em algumas cidades.

Dança Odissi

Teve uma em especial, em Rourkela, no qual a academia de dança era feita especialmente para o estudo e vivência da dança. Vivência com intensidade, devo dizer.

Entrada da academia


As alunas tinham, além da técnica da dança, aula de música, palestras sobre a cultura, sala de figurino - e aprendiam a costurar os próprios figurinos, aprendiam a maquiar, tinham aulas de etiqueta e mais inúmeras atividades.

Diversas fotos de gurus e bailarinos do passado, para não esquecerem dos mestres


Aulas com música ao vivo



O mais interessante, era que cada professora dava aulas supervisionada por um 'Guru'.

Pode parecer estranho, mas ter um 'guru' é comum na dança indiana - ao menos na clássica, Odissi. Isso foi o que vi lá em cerca de 12 cidades.
As pessoas dançavam, e ao final o Guru aparecia para fazer correções ou - muito raro - dar os parabéns.

Uma bailarina me disse que a presença do guru é uma constante. Cada bailarina escolhe o seu guru e este acompanha todos os passos da mesma.

As vezes um guru orienta e conduz pequenos grupos e acompanha de perto suas vidas, inclusive opinando em situações familiares, relacionamentos e trabalho.

Na India, não há dissociação entre palco e vida privada.

O Guru da professora, acompanhando a aula. Tenso!


A bailarina deve respeito ao guru - elas tocavam seus pés ao vê-los, símbolo máximo de respeito e reverência na India - e se um guru decidisse deixar de acompanhar a bailarina, era o símbolo máximo de desonra para esta.


Alunas esperando orientações



Em muitos shows que presenciei, o Guru ficava ao lado do palco assistindo a performance e antes de entrar em cena a bailarina primeiro reverenciava seu mestre e, ao final, a bailarina corria para tocar seus pés.

Era sempre emocionante ver a conexão entre guru e bailarina e o olhar de respeito que pairava entre ambos.

E aí eu pensei na nossa realidade: quem é o seu guru?

Temos ídolos, divas, musas.
Mas há de se convir que essas estrelas não tem tempo para orientar e guiar de maneira individual, ou, pelo menos, eleger um pequeno grupo e estar presente de maneira intensa.
Aliás, muitas dessas divas perdem  o seu encanto quando sua parte humana e cheia de falhas se sobrepõe ao talento e didática.


Lord Jaganahth a representação máxima do Deus na dança Odissi

É preciso lembrar que na India a dança tem conexão direta com o sagrado e por isso o respeito e dedicação de todas.

Mas por que não tornamos o nosso sagrado particular em situações de aulas, shows e eventos?

Há muito o que se aprender com as bailarinas da India...



Yoga

Não é só uma prática, mas um estilo de vida.
As pessoas acordam, tomam banho, alimentam-se e vão fazer o yoga.

Passei por várias famílias que praticamente me tiravam da cama e faziam eu praticar com eles - muito cedo.

Mas também há os locais de ensino, é complicado chamar de 'academia' mas vou usar esse termo que é o que mais de aproxima.
Também nas academias, o professor é tratado como 'guru' e é raro ver alunos migrarem de um local para outro. Quem escolhe o guru e é orientado por ele, é leal.



Minha hostess em Sambalpur-India, vejam ela acima fazendo yoga.

Reparem nos dizeres 'Yoga e Nutrição' da sala de prática... na India o serviço é completo: técnica, saúde e espiritualidade.

Saudade boa....